O que é Qigong?

O que é Qigong?

   

 

Qigong (pronuncia-se "tchikon") é uma técnica terapêutica milenar da China antiga. "Qi" significa energia, sopro vital, e "Gong" significa trabalho, cultivo, treinamento. Então Qigong seria trabalho, treinamento e cultivo de nossa energia vital em sua prática física e mental.

Seus princípios se baseiam na filosofia Taoísta e na Medicina Tradicional Chinesa.


Taoismo

A base do Qigong é a filosofia Taoísta, uma das mais antigas e conhecidas escolas de filosofia chinesa. Seus conceitos fazem parte da vida de milhões de pessoas através do Feng Shui, Acupuntura, Tai Chi Chuan e outras artes taoístas. Não se pode dominar algo complexo como o Qigong sem ao menos conhecer alguns conceitos e princípios do Taoísmo, sua filosofia básica.

Seus ensinamentos se baseiam em conceitos existentes e formulados há pelo menos 4000 anos. Conta-se que os primeiros princípios taoístas devem remontar à Época dos Imperadores Míticos (por volta de 2.600 a.C.). O Taoísmo prega basicamente a harmonia com a Natureza e o Universo, afirmando que os seres humanos são unos com a Criação e que tudo está em permanente mudança. Existem dois momentos importantes na história do Taoísmo, que são a elaboração do Tao Te Ching por Laozi por volta do século VI a.C. e que inaugurou a época filosófica, e os trabalhos de Zhang Daoling (34–156) que estruturou o que seria o Taoismo Religioso. O Qigong é totalmente baseado na escola filosófica taoísta. Para mais informações sobre filosofia taoísta consulte taoismo.org.

Breve Histórico do QI Gong ( Chi Kung )

A técnica do Chi Kung é extremamente antiga. Ao mesmo tempo que os indianos, os chineses desenvolveram um sofisticado sistema de absorção, manipulação e projeção de Chi. Sabendo desde longa data que o Chi é a própria essência da Vida, é natural que se buscasse um método para ampliar essa energia em nosso corpo de modo a promover a saúde e prolongar a vida.

O historiador chinês Guo Moruo identificou ideogramas de exercícios respiratórios em vasos de bronze da Dinastia Zhou (1121-220 a.C.). Nessa mesma dinastia encontramos os primeiros textos do I Ching, obra que menciona o Homem em comunhão com as forças da Natureza, dando um grande impulso às práticas energéticas. Ainda hoje, muitas técnicas de Chi Kung, principalmente na Alquimia Taoísta, utilizam princípios do I Ching.

Por volta de 300 a.C. o Nan Hua Jing, obra filosófica, afirmava: "A pessoal real respira pelos seus calcanhares enquanto a pessoa normal respira pela garganta". Isso demonstra a existência de técnicas respiratórias especiais, que seriam usadas para aperfeiçoar o praticante, transformando-o de "pessoa normal" em "pessoa real".

Em Changsha, capital da província de Hunan, descobriu-se um texto escrito sobre seda e datando de 128 a.C. que demonstrava exercícios de Daoyin, uma modalidade de Qigong. Esse material mostrava 28 desenhos em cores de movimentos que deveriam ser feitos conjuntamente com o controle respiratório.

Mêncio (século III a.C.), discípulo e continuador da obra de Confúcio, já tinha a conservação e direcionamento do Chi pelo Espírito como fatores importantes na vida de uma pessoa, como afirma em sua obra:

"O Espírito é o comandante do Qi e o Qi é aquilo de que está pleno o corpo. O Espírito ostenta a autoridade suprema e o Qi vem em seguida. Por isso é preciso sempre conservar o espírito e abster-se de gastar o Qi de forma inadequada".

Por volta de 200d.C. (Dinastia Han) surge um dos grandes patronos da Medicina Chinesa: Hua Tuo. O Médico Hua Tuo era um brilhante cirurgião que elaborou um conjunto de exercícios que se tornaria o mais conhecido e praticado de toda a China: a Brincadeira dos Cinco Animais (Wuqinxi).

Hua Tuo chegou a operar o lendário General Kwang Kung de um ferimento no braço. Conta-se que o general dispensou a anestesia e observou a operação sem dar um único gemido. Com  sua fama se espalhando, Hua Tuo foi chamado pelo general Cao Cao, famoso estrategista, para cuidar de sua dor de cabeça. Ele diagnosticou um problema no cérebro e se propôs a operá-lo. Cao Cao achou que o médico queria matá-lo e mando-ou para a prisão. Na cela, Hua Tuo travou amizade com um carcereiro, um bom homem, e confiou a este o seu maior tesouro: um livro por ele escrito contendo as suas técnicas médicas, pedindo-lhe que o entregasse à sua esposa e ocupasse seu lugar como médico. O carcereiro levou o livro para a esposa de Hua Tuo, quando pouco depois o médico foi executado. Depois disso o homem retornou à casa da mulher de Hua Tuo para estudar o livro e a encontrou sobre o fogo, queimando o precioso trabalho. Ele correu ao fogo e salvou algumas partes dessa obra. A primeira parte contêm técnicas cirúrgicas; a segunda demonstra o Wuqinxi, Exercícios dos Cinco Animais (Urso, Tigre, Macaco, Cervo e Garça), muito úteis na manutenção da saúde e inspiradores de exercícios de Qigong; por fim a terceira parte tratava de informações riquíssimas sobre anatomia e fisiologia, descrevendo o esqueleto e seus músculos, além de vários órgãos e os sistemas respiratório e circulatório.

Nessa mesma dinastia temos várias referências em livros de medicina, como o Jin Hui Yao Lue ("Prescrições da Câmara Dourada"), que fala de métodos de combinar a respiração com a Acupuntura para para manter o Qi saudável, e o Nan Jing ("Clássico das Desordens"), que descreve como usar a respiração para incrementar o fluxo do Qi.

Por volta do século VI aparece na China a figura de Bodhidharma, conhecido em chinês por Ta Mo. Ta Mo era um monge indiano que imigrou para a China para que pudesse transmitir os verdadeiros ensinamentos de Buda naquele país. No Templo Shaolin, passou nove anos em meditação onde desenvolveu uma filosofia budista nova, influenciada por idéias taoístas, que denominou Ch'an (Zen, no Japão). A ênfase principal do Ch'an era a prática da meditação, o que tornava os monges doentes e fracos por permanecerem muitas horas por dia na postura sentada. Para diminuir esse problemas e melhorar a saúde dos monges, Ta Mo desenvolveu uma série de exercícios de Chi Kung denominados Yijinjing ("Transformação de Músculos e Tendões"), destinado a fortalecer e desenvolver o corpo para que pudessem suportar as longas vigílias meditativas. Ainda hoje, essa técnica é a principal responsável pelo grande poder físico dos célebres Monges de Shaolin, tão decantados em filmes de artes marciais. Essa época marca também a junção do Qigong com os estilos de Kung Fu tradicionais.

Sun Simiao, da Dinastia Tang (618-907), descreve exercícios de controle e direcionamento do Qi em sua obra "Prescrições que Valem Mil Peças de Ouro". Também é atribuído a ele os Seis Sons de Cura, antiga técnica taoísta.

No Século XII surge um texto contendo o Baduanjin (Exercício dos Oito Brocados), um método de Chi Kung que se tornaria famoso e muito conhecido. Essa prática é atribuída ao General Yueh Fei, grande estrategista e figura histórica documentada da Dinastia Song. Afirma-se que essa técnica seja derivada do Shi Er Duan Jin ("As Doze Peças do Brocado"), desenvolvida por esse mesmo General.

O ensino de Chi Kung teve grandes mudanças depois da proclamação da República chinesa (1911). Foi uma época de grande ocidentalização e as práticas marciais e Qigong se viram colocadas como métodos de Educação Física, tendo sua aplicação declinado bastante durante o governo Comunista (1950) e sendo inclusive banido durante a Revolução Cultural (1966-1975). Apenas na década de 80 o estudo e a prática do Qigong foram incorporadas em hostpitais, clubes e parques. Nascia uma nova época para essa técnica ancestral e milenar, onde os benefícios de sua prática são grandemente conhecidos e divulgados e dezenas de centros de pesquisa se dedicam a tentar desvendar seus segredos mais profundos.

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