Cinema

Era Uma Vez Em... Hollywood

    Los Angeles, 1969. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de TV que, juntamente com seu dublê, está decidido a fazer o seu nome em Hollywood. Para tanto, ele conhece muitas pessoas influentes na indústria cinematográfica, o que os acaba levando aos assassinatos realizados por Charles Manson na época, entre eles o da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que na época estava grávida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha).

| Entenda a polêmica de Tarantino e Bruce Lee

 A cena em que o personagem de Bruce Lee (Mike Moh) aparece em Era Uma Vez em... Hollywood é um breve flashback, lembrado pelo personagem de Brad Pitt, Cliff Booth. Trabalhando como dublê de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) em um filme, Booth encontra Bruce Lee nos bastidores da produção e ouve o ator fazendo um discurso sobre duelos, se gabando de que, se enfrentasse Muhammad Ali, provavelmente ganharia a luta. Quando Booth tira sarro de sua arrogância, Lee o convida para uma luta, sem socos na cara, e o melhor de três rounds sairia vitorioso. 

Lee ganha a primeira rodada facilmente, mas quando Booth entende seus movimentos, ele agarra o ator e o joga em cima de um carro, também com facilidade. Depois disso, a luta é interrompida sem que um vencedor seja declarado. 

Quando as primeiras polêmicas começaram a surgir, o coordenador de dublês do filme, Robert Alonzo, revelou que o fim da cena era na realidade diferente, e foi alterada a pedido dele e Brad Pitt. No roteiro original de Tarantino, o personagem de Cliff Booth sairia vitorioso, após utilizar um golpe baixo. Segundo Alonzo, Brad Pitt foi veementemente contra a cena: 

"Brad expressou sua preocupação, e nós todos tínhamos a preocupação com a derrota de Bruce. Especialmente para mim, que sempre idealizou Bruce Lee como um ícone, não apenas no reino das artes marciais mas também do modo que ele via a vida e a filosofia, ver seu idolo perder é muito triste".

A filha de Bruce Lee, Shannon Lee, rapidamente se pronunciou sobre a cena, descrevendo que se sentiu desconfortável ao assisti-la no cinema. Shannon não falou de modo afrontoso em relação a Quentin Tarantino, e inclusive disse entender os motivos do diretor, mas a justificativa não a impediu de se sentir "desconfortável sentada no cinema ouvindo as pessoas rirem do meu pai". 

"Ele parece um idiota arrogante e cheio de exibicionismo. E não como alguém que teve que batalhar três vezes mais duro do que qualquer uma daquelas pessoas, para conseguir o que para alguns veio naturalmente", explicou Lee. 

Falando sobre as motivações do diretor, Shannon explicou que, mesmo assim, o filme o retrata de modo esteriotipado, indo na direção oposta do que Bruce Lee sempre batalhou na vida:

"Eu consigo entender as razões por trás do que está retratado no filme. Eu entendo o que os dois personagens representam como anti-heróis, e que é como uma fantasia do que poderia ter acontecido. Eu entendo que eles quiseram fazer o personagem de Brad Pitt um grande durão que poderia derrotar Bruce Lee. Mas não precisavam tratá-lo do modo que Hollywood branca tratava ele quando estava vivo". 

Quentin Tarantino respondeu à polêmica explicando que o comportamento e as declarações de Bruce Lee foram baseadas em seu conhecimento do ator, fundamentado em estudos e biografias: 

"Bruce Lee era meio que um cara arrogante. O jeito que ele falava… Eu não inventei, ouvi ele falar coisas como essas. As pessoas me dizem ‘ele nunca disse que poderia derrotar Muhammad Ali’ e sim, ele disse. Não só ele disse isso, sua esposa disse isso. A primeira biografia dele que li foi Bruce Lee: The Man Only I Knew, de Linda Lee, e ela absolutamente disse isso.”

Ainda, o diretor explicou que poderia fazer o que quisesse, já que o retrato do ator é fictício: "Brad não poderia derrotar Bruce Lee, mas Cliff talvez pudesse. Então se pergunte: quem ganharia em uma briga, Bruce Lee ou Dracula? É a mesma pergunta. São personagens fictícios. E eu digo, Cliff poderia derrotá-lo, ele é um personagem fictício.”

Depois da resposta de Tarantino, Shannon Lee se pronunciou novamente, atacando as declarações do diretor. Nada sutil, a filha de Lee disse que Tarantino deveria "calar a boca". 

"Uma das coisas problemáticas de sua resposta é que, por um lado, ele coloca como fato, e por outro, ele quer que fique na ficção", ela explicou. "Ele pode retratar Bruce Lee como ele quiser, e foi isso que ele fez. Mas é um pouco dissimulado da parte dele dizer 'ele era assim, mas este é um filme de ficção, então não se preocupe com isso"". 

Shannon disse ainda que esperaria um pedido de desculpas de Tarantino: "Ele poderia se desculpar, ou ele poderia dizer 'eu não sei como era Bruce Lee. Eu só escrevi para o meu filme. Mas isso não deveria ser considerado como ele era de verdade'". 

Saindo em apoio à Shannon Lee, o ex-astro da NBA, Kareem Abdul-Jabbar, escreveu um artigo na THR explicando exatamente porque a cena de Tarantino pode ser considerada racista. Abdul-Jabbar explicou que entende o retrato fictício, mas o que ele representa acaba pejorativo:

"O que me incomoda [é] Tarantino ter escolhido retratar Bruce de uma forma tão unidimensional. A atitude de machão de Cliff (Brad Pitt) estilo John Wayne, um dublê mais velho que derrota esse chinês arrogante ecoa os vários estereótipos que Bruce estava tentando desmontar. É claro que o galã americano branco e loiro pode bater no seu carinha asiático chique porque essa merda estrangeira não manda aqui.”

 

 

 

 

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